quinta-feira, 26 de julho de 2012
Oi, meu anjo!
"Jogou as bolsas sobre a mesa e foi para seu ritual diário, pós o trabalho. Tirar os sapatos, as meias, pisar com os pés descalços no chão e sentir a gostosa sensação do chao frio. Aproveitou, também, para tirar aquelas roupas e colocar uma calça velha de moleton, tão confortável e ficar sem a camisa que prendia seus movimentos. Deitou sobre a cama, sem mais preocupações.
Esse era o ritual do cochilo da tarde. Em alguns dias, deitava nua, mas desta vez não. Mês de março, o clima já mudava um pouco, não havia necessidade para isso. Até mesmo, por que, o problema não é o calor, mas o conforto. Sempre foi assim. Nunca, desde que se tem memórias, gostou de qualquer coisa que restringisse seus movimentos, seja uma roupa ou um relacionamento.
O sono chegando aos poucos. Os problemas diários deixando de ser problemas... Ela, aos poucos, entrando em contato com o mundo dos sonhos.
Mal percebeu a entrada dele no quarto. Ou melhor não percebeu. Dormia, realmente. Acordou com o primeiro arrepio, um sopro frio pela base da sua coluna. Levou algum tempo, mas percebeu do que se tratava. Mas preferiu fingir que ainda dormia, poderia ser bem mais divertido.
É óbvio que ele não se daria por vencido, facilmente.
Então, ela começou a sentir a ponta dos dedos que deslizavam calmamente pelo corpo dela. A ponta dos dedos que passavam de leve pelos seios dela. Foi o segundo arrepio. Era possível ver a pele e sua textura. Os seios rígidos. Aquilo estava começando a virar uma grande maldade.
Mas se a proposta era aquela, não cederia facilmente. Ainda fingia que dormia. Sentiu a barba arranhando pela nuca e pensou: meu deus, a barba não... na nuca não. Era o terceiro arrepio. Dessa vez o corpo se estremeceu inteiro.
Sentiu, por último, um beijo na face esquerda. E percebeu que as carícias e, logicamente, os arrepios, pararam. Abriu um sorriso contente. Havia vencido, ele esava deitado ao lado dela. Quieto e, provavelmente, desconsolado.
No jogo do amor, 1 a 1 é sempre melhor que 0 a 0. O jogo era divertido... mas já tinha passado. Virou-se de uma vez só, já subindo sobre ele. Olhou nos [assustados] olhos dele e disse com muito gosto: Oi, meu anjo!"
[Marcelo Marchiori]
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