terça-feira, 31 de julho de 2012

Adeus!


A cada minuto que passa, sinto que o tempo rouba das minhas próprias mãos tudo que eu sempre sonhei. E como se não bastasse, ele ainda leva todos os sonhos para milhas de distância de mim. Ao mesmo tempo, sinto uma necessidade de recuperar cada minuto esvaído, de jogar no lixo todas as recordações boas que não me deixam ir, de romper todos os laços que foram feitos neste lugar. É uma urgência... Urgência de correr o mais rápido que eu puder, de gritar ate que não reste mais voz alguma, de alcançar extremos, de correr todos os riscos na tentativa de acertar. São tantas vontades, tantos planos, sonhos e mais sonhos. Eu preciso matar o que me prende e que me ofusca, preciso suicidar o meu eu covarde. Me desculpa! Mas eu preciso ir embora, zerada e inteira, sem laços, sem sentimento algum, sem medo e sem culpa. Estou decidida. Eu vou partir para um futuro desconhecido e sonhado a vida toda. Adeus!

[Thayanne Nascimento]

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Aquele moço bonito


[...] E é naquele final de tarde que você percebe que está o dia todo pensando nele, somente. É incrível como o simples fato dele te olhar pertuba o canto da sua boca, lhe fazendo sorrir. O quanto falar com ele te faz bem, o quanto um modesto chalaceio que ele dá, te alegra. Cada palavra que ele pronuncia soa como notas de uma melodia que ouvi ontem, pela madrugada. E eu poderia ser considerada uma maluca, caso ousasse negar que estou enlouquecida e perdidamente enamorada por aquele moço bonito que conheci.

[Thayanne Nascimento]

Oi, meu anjo!


"Jogou as bolsas sobre a mesa e foi para seu ritual diário, pós o trabalho. Tirar os sapatos, as meias, pisar com os pés descalços no chão e sentir a gostosa sensação do chao frio. Aproveitou, também, para tirar aquelas roupas e colocar uma calça velha de moleton, tão confortável e ficar sem a camisa que prendia seus movimentos. Deitou sobre a cama, sem mais preocupações.

Esse era o ritual do cochilo da tarde. Em alguns dias, deitava nua, mas desta vez não. Mês de março, o clima já mudava um pouco, não havia necessidade para isso. Até mesmo, por que, o problema não é o calor, mas o conforto. Sempre foi assim. Nunca, desde que se tem memórias, gostou de qualquer coisa que restringisse seus movimentos, seja uma roupa ou um relacionamento.

O sono chegando aos poucos. Os problemas diários deixando de ser problemas... Ela, aos poucos, entrando em contato com o mundo dos sonhos.
Mal percebeu a entrada dele no quarto. Ou melhor não percebeu. Dormia, realmente. Acordou com o primeiro arrepio, um sopro frio pela base da sua coluna. Levou algum tempo, mas percebeu do que se tratava. Mas preferiu fingir que ainda dormia, poderia ser bem mais divertido.
É óbvio que ele não se daria por vencido, facilmente.

Então, ela começou a sentir a ponta dos dedos que deslizavam calmamente pelo corpo dela. A ponta dos dedos que passavam de leve pelos seios dela. Foi o segundo arrepio. Era possível ver a pele e sua textura. Os seios rígidos. Aquilo estava começando a virar uma grande maldade.

Mas se a proposta era aquela, não cederia facilmente. Ainda fingia que dormia. Sentiu a barba arranhando pela nuca e pensou: meu deus, a barba não... na nuca não. Era o terceiro arrepio. Dessa vez o corpo se estremeceu inteiro.
Sentiu, por último, um beijo na face esquerda. E percebeu que as carícias e, logicamente, os arrepios, pararam. Abriu um sorriso contente. Havia vencido, ele esava deitado ao lado dela. Quieto e, provavelmente, desconsolado.

No jogo do amor, 1 a 1 é sempre melhor que 0 a 0. O jogo era divertido... mas já tinha passado. Virou-se de uma vez só, já subindo sobre ele. Olhou nos [assustados] olhos dele e disse com muito gosto: Oi, meu anjo!"

[Marcelo Marchiori]

sexta-feira, 13 de julho de 2012



[...] E ele é alto, tem os cabelos negros, um sorriso grande e um olhar que me dá medo, as vezes. Um olhar investigativo e um tanto curioso. Daqueles que não tem como ser retribuído. Caso contrário, eu poderia ser descoberta. Certamente, ele notaria o quão louca de amores, estou. Sabe aquele arrepio gostoso que vai da nuca ate o cóccix? Então... É isso mesmo que sinto todas as vezes que o vejo. Bem... Acho melhor não mais olhá-lo tão profundamente assim..

[Thayanne Nascimento]


E meu pai sempre me dizia - Se aquieta, filha! Não foi porque não tinha que ser -. Vezenquando, me pego pensando... E se eu não tivesse me conformado com aquela expressão tão cômoda? E se ao invés de aceitar o que não era pra ser, eu tivesse insistido um pouquinho mais? Eu poderia vencer pelo cansaço ou pela insistência. Ou não, eu não poderia nada.

[Thayanne Nascimento]